terça-feira, 13 de junho de 2017

DENTES DE RATO

Quando fiz o meu curso de educadora de infância  não era ainda licenciatura. Depois, em 1999, abriu um "complemento de formação" para então ficar licenciada. As aulas eram às sextas e sábados depois de uma semana exaustiva de trabalho. Este enquadramento para dizer que tive uma professora de literatura infantil nessa altura, que era "top". O que aprendi com ela. Um dos livros obrigatórios nesta disciplina era "Dentes de rato" da Agustina Bessa-Luís. E, a propósito de dentes de rato lembro-me de uma pessoa que conheço e que outro dia me tentava falar ao coração... e senti-me a Agustina Bessa-Luís. Essa pessoa é má, mentirosa, mesquinha e projetei logo o livro e recuei 20 anos da minha vida no  diálogo em que perdi o meu tempo a ouvi-la (?).
Tudo isto para desabafar que as pessoas que estão connosco, que fazem parte da nossa vida pontualmente, não quer dizer que cá fiquem. Esta entrou, ficou mas já saiu.  E ficou porque me iludiu (ou melhor: desiludiu). Li algures que "somos como casas: às vezes há os que entram e veem  todas as fissuras e imperfeições e perante tal  fogem com medo que o teto caia e OUTROS ficam na esperança de um dia morarem em nós". E é isto! Uns ficam, outros saem pela porta que entraram.
 
 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

INVITATION

No dia 8 não poderia faltar um texto brilhante da Maria. Obrigada.
 
"O Verão  parece que já chegou e apesar disso este não é um texto sobre praias, banhos de sol e temperaturas altas. E isto era só para aquecer as palavras e fazer uma introdução. 
Na verdade, este é um texto sobre Gente. Gente que já vive dentro de cada um de nós e os Outros, os que ainda nos hão-de habitar. 
 Tenho o privilégio, já muitas vezes denunciado e acarinhado por mim, de ao longo da minha vida contactar com relativa proximidade, privar nalguns casos mesmo, com pessoas absolutamente extraordinárias.
  Falo de um sobrevivente do Holocausto e prémio Nobel da paz, de um ativista palestino e candidato também ele a um Nobel, de um poeta Andaluz e de um artista Sírio, a um cozinheiro doutorado Nepalês, de uma realizadora de causas humanitárias, de um tio de uma natureza extraordinariamente humana e de uma filha absoluta e inequivocamente generosa e inteligente que já faz parte, do alto dos seus 12 anos, de uma plataforma  internacional de intervenção social em causas humanitárias,  à senhora que todos os dias me vende um café com um sorriso meigo e doce apesar de ter perdido o filho recentemente.
 E outros.
 A Ana, a minha mais recente amiga que é intensa e genial, poderia ser escorpião e, na verdade, até é um bocado: tem um sentido de humor imprescindível  bem como uma paixão assolapada por Literatura. O Pedro, que me desmonta todos os problemas com um carinho e cuidado únicos e que no meu entender partilha do mesmo ADN metódico de Descartes. A Maria que é notável e profunda. O João que apesar de nos conhecermos ainda mal, gostamos dos mesmos caminhos... e, por fim, o Miguel. O Miguel é um caso à parte. Lê-nos. Eu acho que o Miguel percebe como  a vida faz futuros e aquelas ligações e equívocos e depois tem a voz mais bonita do mundo.  Adoro-o. Ele sabe-o e eu sei que ele sabe, que eu sei :) .
 Estou rodeada dos melhores. 
 Em todos eles cabe estrutura, dignidade, verdade, amor à vida e ao outro, sonhos, inteligência, eterna vontade de mudar, causa e consequência, ação e efeito. Respeito, honra e alegria. Amor. Abrigo e futuro. 
Juntamo-nos obrigatoriamente uma vez por semana.  São a minha tribo. Eu que tenho alma de nómada, que não consigo ficar aonde não sou feliz, nem aceitar o inaceitável sobre qualquer desculpa ou pretexto criei raízes, ali neles. Pertenço-lhes. 
E porque o mundo e a amizade têm que ser espaços abertos e disponíveis ao outro, convido-vos também a juntarem-se a nós. 
Sejam Bem Vindos!
Mas antes verifiquem se a vossa alma está inteira. Se o vosso coração está aberto. Se o vosso respeito próprio está ativo. Se o vosso sentido de humor está afinado. Se a vossa intolerância à maldade funciona. Se a vossa voz nunca se calará perante qualquer injustiça. Se sabem dar abraços e, por último, se gostam de um bom vinho tinto."   

 

terça-feira, 30 de maio de 2017

ASSOCIAÇÃO DE PARALISIA CEREBRAL

Odeio pessoas que passam o tempo a dizer que fazem, que são solidárias, que ajudam e, coitadas, não têm nada em troca.
Se é para ajudar é com o coração. Troca não se encaixa aqui.
Se dás não tens obrigatoriamente que receber.
Ainda hoje, passando pelo facebook, "li" alguém a fazer história de algo que fez aos sem abrigo. Parabéns! Mas para quê uma história tão grande de "eu sou a maior"?
Quando era miúda fascinavam-me aquelas pessoas que davam qualquer coisa, tipo 500 contos para ajudar na compra de um carro para um deficiente motor e pediam anonimato. Isso acontecia muito nos anos 70, na televisão. Bem hajam todos os que o fizeram sem se quererem identificar.
Não me querendo "publicitar" mas sim divulgar o evento deixo aqui o convite para uma venda que vou fazer no jardim da minha casa.
Vou vender as peças HEART ME e mais duas ou três pessoas quiseram-se juntar para vender os seus produtos.
E vamos ajudar a Associação de Paralisia Cerebral de Almada Seixal que vive destes pequenas ações. 
Não alargo o texto, convido-vos a estarem presentes e a "espreitarem" esta associação   APCAS/
Muito obrigada                                                                                                                                   

segunda-feira, 15 de maio de 2017

"MAIS VALE SOZINHO...."

Um sábado em grande.
Portugal volta a ser conhecido depois dos Descobrimentos. Tempos de mudança? Desejamos que sim. Uma mudança positiva a todos os níveis porque, na verdade, somos pequenos mas GRANDES em tudo o que fazemos. Um VIVA  a PORTUGAL !

Hoje vou dar aqui um "lamiré" sobre relações que se transformam. Mas não consegui deixar de fazer a introdução ao nosso Portugal... Continuando:  já aqui escrevi várias vezes que, a meu ver, o horrível desta vida é uma doença e os que amamos estarem doentes."O resto" é ultrapassável...
Cheguei à fase em que os meus amigos estão em segundos casamentos e mesmo em terceiras, quartas relações. E os erros que cometem!!
Há aquele velho ditado que diz: " à primeira todos caem, à segunda só cai quem quer mas à terceira só se for parvo".
E é lamentável a quantidade de parvos. Pessoas que se deixam enlear em segundas, terceiras relações com homens e/ou mulheres que em nada os acrescentam, só os diminuem. Tenho muito perto um caso de ciúme doentio que leva a pessoa envolvia ao esgotamento. Ela mói-se de tristeza de enfado de tudo o que é negativo. O par não entende que essa pessoa com a idade que tem, tem que ter passado. Não é uma pessoa sem vida para trás... é uma pessoa carregada de vida, de memórias e de recordações das quais já fez o seu luto e decide apostar no outro. Mas o outro desgraça essa pessoa com o ciúme.
 Porque te sujeitas? O que te dão em troca? Companhia? Tens os teus amigos... Dinheiro? Não acredito (e mesmo que fosse, para quê? o dinheiro não nos compra a alma e o bem estar)...  Agarra-te ao "mais vale sozinho/a do que mal acompanhado/a" .
Para ti e para os outros que aqui se identificam só desejo o melhor (e o melhor não é o local onde estão). Pensem nisso!

segunda-feira, 8 de maio de 2017

UNTITLED

E porque hoje é dia 8, a Maria deu-me este texto que tenho o privilégio de o deixar aqui no blog.
 
"Comecei a ler uma tese de doutoramento sobre inovação, liderança e criatividade. Serão estes os ingredientes existenciais mais procurados no futuro, constatam.   
Enquanto isto, tento manter o mesmo ritmo intenso de abordagem a quatro projetos que estou a desenvolver. Ao mesmo tempo a minha filha pergunta-me porque, no seu manual de história,  está escrito que Salazar foi um ditador  entre aspas e isto no preciso momento em que o nosso cão labrador resolve mudar a sua cama de sítio, fazendo-se ouvir além portas, afinal a proximidade ainda é tudo, ou muito desse tudo. Eles sabem-no.
Depois, respiro fundo e percebo que sou feliz assim: entre palavras, projetos e afetos genuínos.
Ontem foi o dia da mãe e o Facebook e o Instagram encheram-se de fotos e comentários de acordo. Está bem, creio. 
E eu lembrei-me o dia todo das Madres de La Plaza de Mayo, um movimento que começou com uma mulher, Azucena Villaflor que a 30 de abril de 1977 acompanhada de doze outras mulheres denunciaram o envolvimento do regime ditatorial no desaparecimento dos seus filhos. 
Hoje ainda por lá andam. São avós, são mães e criaram uma ONG. E eu adoro-as.
É isto, só pode ser isto que se comemora no dia da mãe: a nossa coragem perante os desafios. Perante as dúvidas, perante a dor e o medo. Também a nossa entrega por cima dessa dor. 
Há pouco tempo lidei com uma situação de bullying sobre a minha filha. Inqualificável a atitude de violação do espaço emocional, foi no entanto em colaboração com ela que decidimos dar uma resposta criativa, desenvolvendo em parceria um projeto anti-bullying que será uma plataforma virtual, não só com informação necessária, bem como revelará outras abordagens inovadoras. 
Mais do que o sucesso e a necessidade do projeto, é este dar mãos e encostar de almas que me faz mãe. Ensinar a minha filha a ser arquiteta das suas necessidades quando o resto do seu mundo falha na capacidades de resposta, construindo pontes em vez de  muros... deixa-me antever  um bom futuro...
Mudar, mudar até de defeitos é para mim essencial. 
Por isso este texto é para todas as mães e todos os pais que são mães e todas as pessoas que são assim como mães. 
Ah, obviamente que também me lembrei da minha mãe e da minha avó, mas isso vai ficar comigo desta vez."

sexta-feira, 5 de maio de 2017

ÉS TÓXICO?

Outro dia li um artigo sobre a toxicidade de algumas pessoas. E gostei, e concordei. Há pessoas tóxicas que se cruzam na nossa vida e depois há outras que, às vezes,  são tóxicas consoante as situações. 
Estas ultimas se calhar não são as verdadeiramente tóxicas, são as que têm alguma toxicidade que só transpira perante o ataque.
Se és tóxico és manipulador. Levas a agir de acordo com as tuas vontades? Sim? Não?
Se és tóxico estás-te a "borrifar" para o que é importante para os outros. Reages com felicidade à felicidade do outro? Achas sempre que és perfeito e os outros é que têm defeitos? Se és tóxico lealdade é uma palavra fora do dicionário.
És inconsistente? És tóxico. Ou o contrário: os tóxicos são inconsistentes. E agora chego ao ponto de pensar que conheço tanta gente tóxica!!!
Adiante... Adequas o teu comportamento conforme a pessoa com quem falas e mudas de atitude e de opinião de acordo com aquilo que queres que aconteça? És tóxico!
Criticas tudo o que os outros fazem e que deixam de fazer? Acreditas que nunca tens culpa e mentes para que os outros acreditem nas tuas mentiras? Mentir é feio! És tóxico.
Agora enfiem a carapuça: se és tóxico não assumes a responsabilidade dos teus próprios sentimentos. Ah pois é! Projetas os teus sentimentos nos outros e não assumes a responsabilidade daquilo que fazes. Tóxico!
Pedes desculpa? Ou não vês razão para o fazer pois a culpa é sempre dos outros? És sempre a vítima, certo? És tóxico!
Se és tóxico queres que os outros resolvam os teus problemas. Se és tóxico queres a simpatia dos outros e fazes uma grande encenação até obteres aquilo que queres.
Este artigo serviu para reconheceres algo? Ou não?
És tóxico? Não te aproximes.
Se não és tóxico não limites o teu tempo a conviver com quem não te acrescenta. A vida é para ser vivida sem poluentes.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

ÀS "GUGUS"...

Como sabem sou professora de Educação Especial. Este ano estou a trabalhar com crianças autistas numa unidade de ensino estruturado. Apesar de emocionalmente intenso este trabalho, sempre que observamos evoluções nestas crianças sentimos uma alegria imensa.
O autismo é uma perturbação ou transtorno que se caracteriza pela dificuldade na comunicação social e comportamentos repetitivos. Embora todas as pessoas com autismo partilhem essas dificuldades, o seu estado afeta-as com intensidades diferentes. Assim, essas diferenças podem existir desde o nascimento e serem óbvias para todos ou podem ser mais subtis e tornarem-se mais visíveis ao longo do desenvolvimento.
Ao autismo pode estar associada  deficit cognitivo, dificuldades de coordenação motora e de atenção e, às vezes, as pessoas com autismo têm problemas de saúde física e podem apresentar outras condições como deficit de atenção e hiperatividade, dislexia ou dispraxia. Na adolescência podem desenvolver ansiedade e depressão. Algumas pessoas com autismo podem ter dificuldades de aprendizagem em diversos estágios da vida, desde estudar na escola, até aprender atividades da vida diária, como, por exemplo, tomar banho ou preparar a própria refeição. Algumas poderão levar uma vida relativamente “normal”, enquanto outras poderão precisar de apoio especializado ao longo de toda a vida.O autismo é uma condição permanente: a criança nasce com autismo e torna-se um adulto com autismo.
Estas pessoas, que merecem o nosso maior respeito e carinho, durante o seu percurso académico, estão nas escolas onde se faz a sua inclusão tanto em sala de aula como nas atividades com as outras crianças/jovens. Desde 2008 que foram criados espaços, em escolas de referência, onde estes alunos têm apoio. Consoante o seu perfil assim estão mais ou menos tempo em sala de aula e os outros tempos na tal unidade onde me encontro  (assim como centenas de outros colegas por este país fora).
Hoje queria aqui deixar a minha admiração e apreço a todas as assistentes operacionais que trabalham connosco. Elas são o grande pilar destes espaços. Conhecem-nos melhor do que qualquer outro, ajudam-nos, acarinham-nos. dão recados, falam com os pais, opinam de forma isenta ( muitas vezes vêm coisas que nós não vemos), estão sempre presentes e prontas para ajudar. Muitas vezes são até as nossas psicólogas.  A minha é isto tudo e muito mais. É o meu braço, perna, pé direito. Tenho muita sorte.
A todas as GUGUS deste país o meu bem haja!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

ORGANIZAÇÃO

Deixo hoje aqui um elogio ao meu marido. Ao longo destes anos de partilha e de vida ensinou-me o que é organização. E, como ele diz, só os preguiçosos são organizados pois, ser desorganizado dá muito trabalho.
Nestas semanas de obras foi sempre ele que orientou o que era hoje, agora, amanhã para fazer e tudo se fez com método.
Antes de o conhecer não tinha noção de que não era organizada. Também a vida corria de outra forma. Mas, concluo que se formos organizados temos tempo para tudo.
Alguns exemplos práticos da nossa vida (somos 4 e estamos sempre em família):
- Faço ementas semanais ( só no domingo à noite é que penso na semana toda o que vai evitar chegar a casa ao fim do dia e não saber o que fazer para o jantar );
- Faço jantar a contar com 5 para emergências (um filho afinal almoça no outro dia... eu vou a casa ..);
- As compras de supermercado são semanais tendo em conta a ementa (esta dica dá para poupar também);
- Divisão de tarefas ( cada um tem as suas tarefas e o trabalho é partilhado: tirar loiça da máquina, pôr a mesa, fazer as camas, despejar o lixo...) ;
- A roupa suja está dividida em duas tulhas: uma de roupa clara, outra de roupa escura. Assim pode ser qualquer um a colocar a roupa na máquina sem "perigo";
- Quem desarruma, arruma o que desarrumou;
- Mochilas, roupas, casacos tudo organizado de véspera;
- Telemóveis, computadores e afins são carregados durante a noite para não "ficarem sem bateria" durante o dia nem andarem com carregadores atrás;
- Se amanhã tenho de ir ao dentista e hoje ao supermercado junto tudo num único dia: poupo tempo e dinheiro;
- A partir das 22h deixo de "ser mãe".  É o meu tempo.
Mas a minha casa não tem tudo arrumadinho: longe disso. É uma casa com vida, com cantos desarrumados, com gavetas desorganizadas.  Nunca deixei de sair porque tinha de arrumar isto ou fazer a limpeza aquilo.
Fica a dica e votos de bom fim de semana.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

GRAÇA

Voltei. Depois de várias semanas de obras e de caos, a pouco e pouco chega a organização.
Já tinha saudades.
Dizem que é nos momentos de aflição que se reconhecem os amigos. Não. Reconhecem-se sempre só que alguns revelam-se.
Há pessoas assim e assado. Há pessoas que para se tornarem melhores, inteiras, têm de passar por vicissitudes.
Hoje estava a pensar nisso e  numa pessoa que realmente vai crescendo no meu coração.
 
" Há pessoas com graça.
Depois, há as pessoas que parecem não ter graça mas com o tempo lhe apreciamos a graça.
 
Pois eu conheço uma Graça que, parecia não ter graça. e que se tem revelado alguém com muita graça.
Tem uma personalidade marcante e tem a sua graça que dá muita graça ao que é. Só gosta de quem gosta e não faz fretes. Não critica, ou melhor, critica com um sorriso. É raro aborrecer-se: retira-se.
Há quem a ame e há quem a odeie mas ninguém lhe fica indiferente
A forma como vê a vida dá-nos que pensar.
Vive intensamente o seu dia,  com uma calma que acaba por irritar quem não a tem.
E é assim, a Graça com quem eu engracei. Um beijo, Graça."

terça-feira, 11 de abril de 2017

UMA PORTA. DUAS PORTAS.

Este texto deveria ter sido publicado no dia 8 de abril. Foi o que prometi. A Maria escreve para mim, para vocês aqui, no dia 8.
Mas, problemas técnicos atrasaram esta publicação. Ainda vamos a tempo...
Boas leituras.
 
A vida deveria ter uma saída de emergência quando tudo se complica, disse-me. Seria mais fácil viver. E ainda acrescentou: ou estão comigo ou contra mim.
Sinto um vazio invadir-me. Como se eu vivesse num planeta diferente do daquele ser. Respirei fundo e deixei-o ir embora.
Fiquei a pensar nisto.
Lembrei-me de Ellie Wiesel e das nossas conversas.  Porque é que eu nunca ouvira algo semelhante de um sobrevivente do Holocausto? Depois, ainda recordei um ator palestino, encenador e ativista politico morto prematuramente.  Assassinado.
Juliano Mer-Khamis,  era o seu nome. Juliano pedia justiça. As suas palavras carregavam vida e futuro e esperança e alegria. Usou a arte para construir pontes e criar soluções. Juliano nunca tentou uma saída de emergência. Ou talvez a esperança em si mesma, tivesse essa representação material para ele.
 E Ellie Wiesel: sem sombra de dúvida que era isso mesmo. A esperança nestes Homens, mais do que  facilidade da vida, que não era perseguida por nenhum deles, representava o motivo das suas existências.  
 E aquela escola de ballet na palestina que ficou destruída nos bombardeamentos e passou a funcionar ao ar livre, entre os escombros e nos intervalos das bombas. E as meninas ali vestidas, a rigor, um rigor dentro do possível, porque nem todos os sonhos morrem quando morrem os homens...
Como seria possível aquele homem dizer aquilo? Que poucochinho tinha ele dentro de si. Que grande vazio humano, ele era. Que cansaço.
Sobre a facilidade da vida é preciso lembrar que não são tempos para isso. Estes são tempos de ação. pedem-nos consciência, amor, do verdadeiro claro, integridade, humanidade. Nada de narcisismos. Nada de eu, comigo e para mim... Esqueçam isso e façam-se maiores.
Ah, voltei atrás e respondi-lhe citando de memória o discurso de Nelson Mandela à equipa de rugby da África do Sul:
" Agradeço aos Deuses que possam existir a natureza indomável da minha alma.
   Sou o senhor do meu destino. O comandante da minha vida. "
e ainda lhe disse: se queres uma saída de emergência, faz-te arquiteto da esperança ou então vai à m####.
É isto. Foi isto que me inspirou, hoje.


sexta-feira, 7 de abril de 2017

HEART ME

❤Gosto muito de bijuteria e há uns anos comecei a enfiar umas missangas, a fazer uns colares e vendia aqui e ali... As peças foram-se acumulando porque fiquei sem tempo para tanto colar, tanta pulseira. Entretanto, há dois anos, a Ana desafiou-me para recomeçar "à séria" este negócio. Lá pusemos mãos ao trabalho. E foi engraçado. Alturas houve em que o trabalho era imenso e noutras alturas era zero. Agora estou outra vez sozinha e lá vou caminhando ao meu ritmo. Felizmente tenho toda uma rede de amigos que ajuda nas vendas e na divulgação. Depois tenho as minhas sobrinhas a fazerem de modelitos e a Sofia a tirar fotos.
Um agradecimento público a quem me ajuda.
SOMEONES PHOTOS (clique no nome) e não deixem de visitar o HEART ME (clique no nome). Um beijo do coração à Joana ❤

Em jeito de publicidade aqui ficam algumas fotos das novidades:
Toalha de praia e t.shirt ANANASES
 
T-shirt corações e lantejoulas/ pulseiras contas madeira
Alcofa TROPICAL/ T-shirt TROPICAL
Saco de praia e toalha PEIXES
 
 
 

sábado, 1 de abril de 2017

AMIGOS

Ontem no facebook a Fernanda publicou esta imagem:
Apesar de andar a mil por causa das obras e nem ter tempo " para me coçar" fiquei a pensar nisto, que discordo...

 Não tenho quase família direta: o meu pai era filho único, a minha mãe tinha vários irmãos mas a viverem longe, mesmo no estrangeiro. Primos tenho uns tantos mas muito mais novos. .A Raquel é com quem eu mais me dou. Claro que tenho os meus filhos e o meu marido (também ele filho único) , o meu irmão e as minhas sobrinhas.
Mas, tudo isto para dizer que "tirando" esta família são os amigos que me dão alento para quase tudo na minha vida. Tenho a certeza que os meus amigos são na verdade meus amigos. , Felizmente, tenho bastantes e não me desiludem. Os que aparecem um verão ou uma primavera, que vão e vêm, são os conhecidos com quem passo alguns bons momentos mas que nem entram no meu coração: passam só pela minha vida.
Amigo é tão importante como marido: está cá para os bons e maus momentos, para quando ris e quando choras, para te abraçar e dar colo ou para te apontar onde erraste.
Amigo é para sempre. Amigo não me desilude. Amigo é aquele que mesmo sem tempo tem tempo para mim. Amigo é aquele que nunca se esquece mesmo quando a vida muda. Amigo é a gargalhada, a farra, o fim de semana, as férias. Amigo é quem nos aquece o coração.
Este blog tem sido construído com amigos. Faço questão de falar de todos, com o nome explicito, ou não ( porque ser amigo é respeitar os gostos de cada um) . E já falei de alguns e vou prosseguir falando de outros.
Os amigos são realmente a família que escolhemos.
 
 

quinta-feira, 30 de março de 2017

DIVÓRCIO


A seguir a uma doença, o divórcio deve ser das situações mais duras de gerir. Muitas vezes o efeito não é momentâneo mas a longo prazo.
Eriço-me toda quando ouço: "Ah e tal, eles divorciaram-se mas a Maria nem percebe pois é tão pequenina". MENTIRA!! A Maria não consciencializa nem mostra, mas a Maria sente, e muito,  quer tenho 1 ano ou 15 anos.
O divórcio é traumático para o casal e para os filhos, ponto final.
Sejam quais forem as circunstancias é uma chatice.
Se os pais estiverem em litigio torna-se desgastante para eles (casal) e terrível para os descendentes.
Uma criança torna-se num adulto minimamente equilibrado se tiver uma infância com bons modelos. Acredito que os replicará quando for mais velho. 
O que estou a escrever não é em defesa de que as pessoas devem ficar juntas por causa dos filhos. Não! Acho que temos e devemos ser felizes. Se o nosso casamento não funciona, não devemos estar nele. Uma criança não cresce feliz num ambiente triste e conflituoso.
Se a solução é o divórcio, os filhos devem ser muito bem acompanhados.
Normalmente os pais têm aquela necessidade de "compensar" e poucos se lembram que a receita para os filhos serem felizes, neste turbilhão de emoções e de mudanças  é que os façam sentirem-se amados e serem claros,  afirmando sempre, que não deixarão de gostar deles (filhos).
Não é difícil só que, muitas vezes, deixamo-nos levar pela raiva e despeito em relação ao nosso par e estragamos a relação com os nossos filhos.
 

quinta-feira, 23 de março de 2017

CARDS AGAINST THE HUMANITY


A semana passada a Paula convidou-nos para jantar. A meio caminho, o meu marido, perguntou-me quem ia ao jantar. Disse-lhe que não sabia... a verdade é que adoro surpresas.
A Paula mora no coração de Lisboa num rés-do-chão de uma rua onde é impossível estacionar mas a casa é fantástica. Além de grande, tem um pátio muito agradável. Estava frio e não jantamos na rua. Juntámo-nos na cozinha a beber um bom tinto, a comer queijo com chutney de manga, uvas e folhadinhos com mel. À medida que os amigos iam aparecendo a Paula ia-nos apresentando: o Pedro, o António, a Mónica, a Ana, o Rui, a Márcia...
A Márcia é uma amiga da Paula de longa data. Brasileira do Rio,  simpática e divertida ela fez o jantar. Fez o jantar e contou as peripécias da cozinha, de como a Paula ia por trás arrumar o que ela ia sujando: - Gente, ninguém aguenta fazer um jantarinho com tudo arrumado - queixava-se entre gargalhadas. Claro que a Paula também ria a bandeiras despregadas e tentava justificar.
O jantar foi servido dentro de abóboras. Era uma mistura de camarão, pimentos, queijos, servido na abóbora que previamente esteve no forno. Acompanhava um arroz basmati e uma salada com bagas goji.
Ao jantar começamos a conversar mais mas, depois do brigadeirão (não tem nada a ver com o que fazemos cá), a Paula achou que poderia melhorar a interação entre os pares (apesar do protagonismo que o Zé já  estava  a ter) e juntámo-nos a beber café e a jogar "Cards against the humanity".  Vale a pena experimentar. É um jogo com cartas e cada pessoa faz uma pergunta da carta que tem na mão e todos os outros entregam outra carta que responda a essa pergunta mas com algum sarcasmo. A melhor resposta ganha. O jogo é british e o humor um pouco desconcertante.
O jogo serviu para nos conhecermos da melhor forma, para estarmos bem todos juntos, para nos esquecermos das horas e sairmos de lá como se fossemos amigos de décadas. Obrigada Paula!
 

segunda-feira, 20 de março de 2017

PAI

Apesar de estar com pouco tempo, dei uma vista de olhos pelo Instagram e pelo Facebook e não resisti a escrever esta crónica.
PAI! Por todo lado havia "pais". Pois, era o dia do Pai. Mas foi um exagero. Dei-me ao trabalho de "remexer" em três facebooks de pessoas que não gostam do pai. Parece forte este "não gostam" mas uma delas esteve de relações cortadas cerca de 20 anos com o progenitor, outra,  desde que os pais se divorciaram nem quer ouvir falar no nome do senhor e, outra ainda confessou-me, há anos, que nem sabe se aquele é o pai... Mas todas, (estas três),  fizeram questão de homenagearem o "melhor pai do mundo".
Não me compete a mim julgar, mas é de bom tom termos coerência nas nossas atitudes.
Por tudo isto, pela primeira vez, vou escrever publicamente sobre o meu pai. E não vai ser uma seca porque independentemente do conceito "o meu pai é o melhor do mundo", a relatividade desta frase, é um facto. "Melhor pai", porquê? O que nos define como "o melhor" ? Era um pai que estava acordado toda a noite quando tinhas febre? Era um pai que te ia buscar todos os dias à escola e que te ajudava nos TPC?  Era uma pessoa com quem contavas incondicionalmente para os desabafos da adolescência? Era um pai  que te ia buscar à discoteca? Era um pai que te levava de férias ? Era um pai que estava constantemente preocupado com o teu bem-estar?....ou era o pai por detrás da mãe que  fazia o que enumerei? Era um pai inteiro que te dava um ralhete quando precisavas e um elogio mesmo quando não precisavas? Ou era o pai tirano que não compreendia porque namoravas, que não entendia porque tinhas de sair à noite antes dos 18 anos ou que te ameaçava que se aparecesses grávida te punha na rua ? Para ser o melhor temos que saber o que não presta.
Estou irritada sim... Um bom pai não é o melhor pai do mundo. Não são sinónimos.
Hoje publico aqui, sem medos, para todos que o conheceram e que AINDA HOJE lhe rendem homenagem o que era o meu pai:
Era um visionário. Era um amigo, um companheiro, um confidente.
Não, não foi pai de me mudar fraldas mas dava-me de comer, ia-me buscar à escola, ensinava-me História e Físico-química. Deu-me um livro chamado "A estupidez humana".  Explicou-me a importância de sermos amados e de fazermos as escolhas certas. Ensinou-me o que era humildade e arrogância. "Perdeu" tempo comigo quando lhe chorava no colo os meus desamores. Levou-me a locais para perceber o que era certo ou errado. Ralhou-me quando tive a primeira negativa. Deu-me uma boneca quando não lha pedi. Mostrou-me a importância de sermos e termos uma família. Anotou no meu diário a importância dos afetos. Olhou com curiosidade para os meus amigos e tornou-se amigo deles. Confiou em quem eu confiava. Ria e tinha um sentido de humor fantástico.. Relevou os meus momentos maus. Amou a minha mãe (e mostrou- nos sempre). Levou-me a passear. Ensinou-me a conduzir. Viveu a vida como se não houvesse amanhã e deixou-me todo este legado. Cometeu um erro: deixou-nos muito cedo.
VIVA o meu PAI!

sexta-feira, 17 de março de 2017

OBRAS

Mudar faz sempre bem.
Vou começar a pintar e a arranjar o hall de entrada e a sala.
Vou ficar com um bocadinho menos de tempo para escrever.
As crónicas, com certeza, que deixam de ter dia certo por uns tempos.
Deixo aqui o meu obrigada a todos que me seguem.
Até já...

quarta-feira, 15 de março de 2017

DIETA


"A dieta começa sempre amanhã" é o que se diz...
Dieta (para emagrecer) é um conceito dos anos 90. Antes dos anos 90 não existiam "Tallons", nem "Humbertos Barbosas", nem "Póvoas". 
Não percebo nada de dietas, nem tenho pretensão a isso mas tenho opinião.
Acho que sermos gordos ou magros depende sempre do nosso metabolismo. Claro que salvaguardamos as pessoas que têm doenças  (tornam-se aqui exceção).
Quando era miúda dizia, que se alguma vez tivesse de fazer dieta, passaria a ser gorda pois comer dá prazer. A partir de uma certa idade é bom estar à mesa rodeado de amigos a petiscar.
Já fui a vários nutricionistas e, basicamente, é sempre a mesma coisa: comer de 2 em 2 horas, retirar hidratos. E, se não resultar, não jantar. Antes de dormir, tomar uma tisana (é o que recomendam). Uma tisana?... até comemos os lençóis. E quem está rodeada filhos de adolescentes que ao jantar comem este mundo e o outro e nós, em dieta, olhamos para eles e salivamos qual cão de Pavlov...
É duro. É duro quando vivemos numa família de magros,  fazer dieta.
Esta semana li um artigo de uma médica nutricionista com doutoramento em distúrbios alimentares que falava do erro em fazer dietas. Dizia mesmo: "perdemos 10 kg a fazer uma dieta e ganhamos em média quase o dobro quando paramos". É verdade. Quase toda a gente que me rodeia já se "meteu" em dietas e a verdade é que emagrecem, mas sofrem. Depois ganham imenso peso quando a dieta deixa de ter sentido. Essa médica conclui que devemos comer tudo porque o nosso organismo está habituado a comer de tudo. Deixar de comer ou exagerar num grupo de alimentos pode ser bastante prejudicial. Mas também salvaguarda que se deve comer moderadamente, sendo esse o segredo.
Ontem, na aula de ginástica, uma senhora dizia na brincadeira: " - Tenho de deixar de fazer ginástica pois estou mais gorda " e todas nos rimos pois, essa senhora, adora meter-se na pastelaria da frente, a seguir à aula. A professora disse que "fechar a boca" tonifica e fazer 1h de exercício por dia emagrece. 
Acredito! Acredito mesmo que não vale a pena o sacrifício de irmos para a cama com fome. Fazer bastante exercício físico ( mas daquele em que transpiramos) e comer moderadamente é o suficiente.
 

segunda-feira, 13 de março de 2017

TERESA




Os meus pais vieram viver para a Margem Sul e construíram a nossa casa. Depois nasci eu e o meu irmão. Crescemos. Tínhamos de ir para a escola. Aqui não havia escola, só em Almada que fica a dez minutos de casa,  mas que, nos anos 60,  ficava a uma hora. Ainda estivemos uns meses num colégio em Almada mas depois abriu outro mais perto: o Externato Campo de Flores.
Entrei neste colégio, que este ano faz 50 anos, no dia da sua abertura. Lembro-me de estar num espaço enorme, a chamada "sala redonda", onde eu e mais 70 crianças, aguardavam a chamada para se dirigirem às respetivas salas. A medo, entrei para onde me indicaram e vi a Teresa: a minha professora, a minha primeira professora. Era magra, usava cabelo curto, saia de quadrados pelo joelho e sabrinas. Não gostei dela porque começou logo a mandar. Leu-nos uma história e pediu para dizermos se tínhamos gostado. No fim do dia, depois de muita interação e brincadeira,  já estava no meu coração. É verdade, sou uma privilegiada por ainda hoje, cinquenta anos depois, nos continuarmos a dar. Quando casei disse-lhe e, ela achou muita graça: "- vais casar com o Zé Manel? o meu Zé Manel? nem acredito!!" É que o "Zé Manel" também foi seu aluno. Sempre que falamos cá em casa da Teresa partilhamos memórias conjuntas da sua personalidade, dos seus afetos, das suas "manias" e simpatias.
A Teresa de hoje é super dinâmica. Vive em Mira e todos os anos prometo que a vou visitar...não fui ainda. Agora anda muito entusiasmada a recolher nomes, emails, telefones de todos nós, para a festa dos 50 anos do Colégio.  É "pró" em informática dominando o facebook, o instagram e, quiçá o twitter. Borda, passeia, trata do seu jardim, ainda trata de nós e vive a vida.
Quando fiz 50 anos recebi um presente muito importante: foi-me entregue pelo carteiro. Era um livro. Um livro de pedagogia com uma dedicatória à "minha professora"... Fui eu que dei à Teresa enquanto sua aluna e, recebi-o de volta com uma dedicatória da Teresa por baixo da minha.
Há melhor coisa na vida do que isto?

sexta-feira, 10 de março de 2017

VIVER




Passamos o tempo a dizer que vivemos. Sim,  vivemos porque respiramos, porque nos locomovemos, mas passamos pela vida. Viver é gozar, rir, despreocupar. A maior parte de nós existe, não vive.
Eu, por exemplo: trabalho durante o dia, sou motorista a meio da tarde, sou empregada à noite e depois das 22h é que vivo. E, como eu há tanta gente assim. Corremos ao lado da vida sem a vivermos.
Olho para os meus cinquenta e tal anos e penso que já não há tempo: os projetos são a curto prazo e a vida que era eterna passou a ser efémera.
Hoje, quando acordei, disse ao meu marido: -Vamos fugir: vamos até Cascais almoçar! - olhou para mim como se eu tivesse enlouquecido e disse: - Até logo!
E assim passa a vida. A correr.
Anteontem fui almoçar à praia. Tenho o privilégio de morar a 5 minutos do sítio que melhor me faz. Mas fui só almoçar, depois tive de correr para a vida... não, fui a correr para o outro lado da vida! Decidi escrever estas linhas porque ontem me diziam: "tem é que se viver intensamente o dia", este cliché que me irrita solenemente e que parece que se não nos lembrarmos todos os dias de o dizer, o dia já não é vivido intensamente. E, quem mais se agarra ao viver o dia intensamente são os que menos o vivem. Na minha hora de motorista gosto de observar as pessoas: andam tristes, carregadas de desilusões, de doenças, de falta de dinheiro e de amor. Os olhos assentes no chão, o olhar perdido no vazio, doentes de vida triste. Uma pena!
Não é dar graças a Deus por este dia, é sim,  dar graças a seja quem for por me deixar VIVER bocados do meu dia.
 

quarta-feira, 8 de março de 2017

Les femmes qui aiment les hommes qui aiment les femmes

Tenho uma prima com um jeito especial para escrever.  A Maria é daquelas pessoas que transformam frases em poemas.
Desafiei-a para todos os dias 8 escrever no blog, escrever para todos. Recordam-se de "WISPERS"? Foi a Maria...E hoje, dia da Mulher, a Maria escreveu isto para mim, para vocês...




"Wangari Maathai, nasceu a 1 de abril no Quénia, não importa o ano, porque Wangari nasce todas as vezes que falamos dela. 
Ativista, professora, mulher visionária, criou o movimento Green Belt: uma organização não governamental que se focava na reflorestação e proteção dos direitos ambientais e dos direitos das mulheres.
Wangari...
 Li a sua biografia mais do que uma vez. Wangari era mágica. Tinha aquele poder que todas as mulheres inteiras têm, o de se fundarem numa inabalável integridade.
 Há um episódio na sua vida, que me acompanha desde então e que revela a força do seu caráter: creio que na altura Wangari era professora assistente numa universidade e por questões politicas foi despedida. Perdeu o trabalho.
Wangari tinha dois filhos que dependiam dela totalmente, uma casa e uma vida que ela sustentava com particular esforço, amor e cuidado.  Num dia. Num único dia tudo desabou. Perdera o trabalho e  assim o direito a receber o seu salário. Sem dinheiro para comer teve que entregar os filhos para garantir-lhes o acesso ao essencial.  Durante um longo período viveu num carro.  Mais tarde arranjou trabalho e em momento algum desistiu das suas ideias, dos seus sonhos, da sua lógica e da sua verdade.
Mas, Wangari, sobre este período da sua vida disse apenas que perdera tudo, ficara apenas consigo própria e isso bastava-lhe para recomeçar. E recomeçou...E ganhou o Nobel da Paz.
 É esta forma de se ser inteira, de nunca desistir do que importa, de acreditar, de se saber Ser, que nos faz mulheres.
Todas, quero acreditar, temos um pouco, senão muito da essência de Wangari. Provavelmente nunca veremos nas nossas secretárias um nobel da paz ou outro, mas creio de coração que a coragem que levamos para as nossas vidas é em si mesma o nosso prémio.
 Por isso, um brinde, a estas e todas as vitórias tantas vezes silenciosas que guardamos.
Sejamos sempre e muito MULHERES.
Um abraço"
 

segunda-feira, 6 de março de 2017

TOLERÂNCIA

És tolerante?
Os  outros têm a sua forma de pensar, de agir e há que compreender que, apesar de terem  uma  vida peculiar é porque as suas "bagagens" são diferentes das minhas. A verdade alheia, por mais ilógica e absurda que me pareça é dos outros, não minha. Desde que não me magoem, o certo é que a escolha que os outros fazem não me diz respeito.
Discordo sem ofender e sem impor a "minha verdade" pois, caso o faça, estou a ser arrogante e burra. Os outros têm direito a viver da forma que entenderem desde que não me ofendam nem ultrapassem os limites da minha dignidade pessoal.  
Por força da vida inevitavelmente estou sujeita à obrigação de conviver, lado a lado, com pessoas que não simpatizo ou que têm ideias que não se coadunam com as minhas. No entanto, tenho a liberdade de escolher quem fica ao meu lado nos momentos importantes enquanto construo a minha história de vida.
Não sou obrigada a conviver, além do necessário, do suportável, do adequado, com pessoas que me enchem a paciência ou me irritam.
Sim, sou tolerante. A intolerância é mãe do preconceito, da exclusão, de tudo o que segrega.
Sim, é preciso tolerar e aceitar as pessoas como elas são mas conservando o direito de me afastar (cordialmente) de quem não me agrada.





sexta-feira, 3 de março de 2017

CIÚME



O ciúme corrói e destrói.
Ciúme confunde-se com inveja, ou não... provavelmente ciúme e inveja tocam-se.
Ser ou não ser ciumento, eis a questão. Realmente é um sentimento, uma emoção que faz parte do ser humano mas é controlável. Todos sabemos que ciúme em excesso é obsessão. Penso muitas vezes que ter ciúmes faz parte da personalidade dos inseguros, dos que têm uma baixa autoestima. Mas, com certeza que não é assim tão linear: eu própria já confessei os ciúmes que tinha do meu irmão, por exemplo. Se calhar há mesmo vários tipos de ciúmes e de graus (por assim dizer).
O Pedro é muito ciumento com a namorada, principalmente com a forma como ela se arranja. Ela queixa-se mas sinto que também gosta. Se ele não lhe dissesse nada, ela  achava que ele  não gostava dela... habituou-se ao ciúme.
A Joana anda sempre aborrecida com o Manel porque ele não lhe dá espaço para ela estar com os amigos. Outro dia até sugeri que conversassem e para ela se colocar no lugar dele. Ela respondeu que se coloca e não se importa que ele tenha os amigos para sair mas acrescentou: "não suportava vê-lo com outra".
A Maria então nem admite o ciúme: apregoa aos sete ventos que é uma coisa básica e primária. O marido que é muito ciumento anda sempre a disfarçar e, às vezes, até me faz confusão porque "deixa de ser ele" para que a Maria não desconfie do seu ciúme.
Já o Zé Carlos imagina cenas maléficas em que a mulher é a protagonista e faz-lhe a vida negra (a ela e a ele).
Outros somente explodem de raiva quando veem o que não existe mas (acham eles) pode vir a existir o que, a meu ver, é fazer com que aconteça.
Depois de escrever isto reconheço que há ciúmes de todos os lados: nas crianças umas com as outras, entre os colegas de trabalho, nas famílias entre os seus membros, nas amizades...
É saudável esta emoção?
Ciúme é posse. Ninguém é de ninguém.

quinta-feira, 2 de março de 2017

DRESSES

Hoje ao almoço a conversa era sobre os vestidos dos "Óscares". O Gabriel perguntava à Ana Isabel se ela já tinha publicado no Facebook os vestidos dos Óscares. O João, admirado,  perguntou porquê.
A Ana Isabel explicou que adora vestidos e que vê todos ao pormenor. "Que paciência! " - soltou o João.


Também meti a "colherada" e ajudei a Ana em defesa da causa: " Eu também adoro", apesar de não ter achado nenhum assim "tchammmm". E a conversa a quatro passou a ser a dois. Animadíssimas dissertámos pelas preferências.  A Ana Isabel gostou especialmente do da Kristen Dunst e eu do da Viola Davis .
A partir do momento em que elegemos o que gostamos, esqueçam, pois agora era só malhar. Apesar de tudo salvaguardamos o da Nicole Kidman que achei especialmente bonito mas que não a favorecia de todo. A Nicole é nude como o vestido.  O branco da Karlie Kloss também não passou despercebido e o conjunto (cabelo mais acessórios), fantástico.
Num ato de maledicência aponto como mais horríveis (além de feios não favorecem quem os veste) o da Octávia Spencer, o da Scarlett Johansson e o da Dakota Johnson (que nem merece foto) ....
Mas a questão que a seguir se levantou foi: nós mulheres vestimo-nos para quem ? Para as outras e em ultima instância para nós.
Se perguntarmos aos homens que nos rodeiam o que trazíamos ontem vestido, nenhum responde com exatidão. Ou estávamos mesmo com algo que desse nas vistas (para eles) ou então nem reparam... como outro dia ouvi: "nós olhamos é para os rabos e para o peito". E está tudo dito. Os homens ainda são muito físicos e pouco emocionais.
Independentemente de tudo nós precisamos deles e eles de nós. Não querendo tornar o texto feminista demais, fico por aqui.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

CARNAVAL

 
Desde pequenos que eu e o meu irmão nos habituamos a mascarar. A minha mãe gostava muito de comprar máscaras ou de as projetar para as levar à modista e fazer de nós os mais giros do Carnaval no colégio. Um dia fui de princesa. Princesa a sério (estamos a falar de há 50 anos atrás)! O meu vestido era de cetim em dois tons de rosa, com aqueles arcos de metal no saiote a fazer volume, uma tiara e uns sapatos vermelhos - os sapatos eram os menos adequados mas, com um fato assim, que importância tinham uns sapatos? Meu Deus, fui a mais querida e adorada desse Carnaval. Eram coleguinhas, amigas das colegas, amigas das amigas das colegas, a quererem tirar uma foto comigo. Que inchada fiquei.  Mas, mesmo que não fosse no colégio, seria num qualquer concurso de máscaras que os cinemas (Politeama e Monumental) organizavam onde ganhávamos prémios e os nossos pais orgulhosamente mostravam as nossas fotos aos amigos.
Os anos iam passando e as máscaras desapareceram. Começamos depois a mascarar os nossos filhos...Mas sempre fui uma pedante pois não me servia qualquer máscara. Alguma vez eu me mascarava sem ser a rigor? Nem aos meus filhos.
Dizem que muitos de nós nos mascaramos à imagem do que não somos (ou não conseguimos ser) nos outros dias do ano .
Se calhar esta ideia é muito rebuscada e com interpretações muito psicológicas, que nem saberia agora explicar. Lembro-me da minha comadre (madrinha da minha filha) se mascarar quase todos os anos de noiva. Perguntava-lhe porquê, pois o vestido já estava uma lástima...e ela respondia que era a sua fantasia preferida, era o desejo de algo que nunca conseguiu realizar. Outro amigo de há anos (que já faleceu), mascarava-se sempre de mulher e dizia que adorava ter nascido mulher. Na altura não o entendia... seria com certeza um transgénero.
Vou à minha festa de Carnaval.
Desejo a todos muita alegria.
 
 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

MAAT



- Então hoje o que vamos fazer?
- É verdade, interrupção letiva...
Onde levar os miúdos? Tempo chato, vento, frio, chove mas não chove, centros comerciais não...Vamos até "à outra banda".
Os miúdos estão todos margemsulenses. Em plena Lisboa, pergunto se sabem onde estão?
- Hã? - Oh mãe estamos em Lisboa, já passamos a ponte.
- Não!! Lisboa tem freguesias, sítios...
- Freguesias? Mas estás-nos a perguntar como se chama esta freguesia? Oh mãe, vá lá mãe, isso não. E pronto, não faço mais perguntas! De repente, descíamos a Maria Pia (pleno Casal Ventoso) e a Madalena disse:
- Oh mãe, a paisagem da direita é tão parecida com Castelo de Bode!
Desisti...
Chegámos a Belém e estacionamos o carro para ver o museu (por fora). Andamos quilómetros (ok serviu de passeio) porque o MAAT está a ser desconstruído!
Na ansia de inaugurarem o museu, fizeram tudo mal feito e agora estão a refazer. São dezenas de homens, de calceteiros, de gruas que, se não fosse o objetivo ir ali, tínhamos desistido pois, no passeio marítimo, paramos quatro vezes: uma para passar um carro das obras com uma sirene, outra para a tal grua e mais duas para ultrapassar obstáculos. Sabem porquê? Porque o museu está fechado entre 7 de fevereiro e 22 de março. Bem escolhido! Já que lá estávamos tiramos fotos e eu olhei para aquela fachada monumental e pensei: "Porquê? " Essa fachada está a 2 m do rio e do outro lado é o Porto Brandão e a Trafaria. Este fantástico edifício não tem nenhum impacto visual, só do ar... Não sou arquiteta, fiquei cheia de vontade de sair daquele perigo iminente e acabamos a tarde no Santini. Valeu a grande caminhada e os deliciosos gelados.
 

 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

MÃES


Ontem, em conversa com uma amiga,  ela saiu-se com esta frase: "exacerbamos o momento do parto e romantizamos a maternidade"... senti a frase tão adequada. Na verdade andamos ali a temer, a imaginar, a projetar, o momento do parto sendo o parto o verdadeiro momento da vida e que dura pouco tempo, para depois passarmos a vida no romance da maternidade. E a maternidade nem sempre é um romance. Ser mãe (com M maiúsculo) é das coisas mais difíceis da vida...e nós vamos contando os momentos bons deste romance que dura uma vida e raramente partilhamos os vários momentos maus que tem este romance com os nossos filhos. Quem realmente fala do drama da maternidade e não põe paninhos quentes na conversa é a AMÃEZÓNIA, que convido os interessados a darem uma espreitadela. https://amaezonia.com/.
Mas sobre o tema não consigo deixar de pensar na gravidez do meu segundo filho. Foi uma gravidez planeada, eu já com 41 anos,  e não é que a minha cunhada também estava grávida? Foi a cereja no topo do bolo partilharmos as experiências corporais , por assim dizer.  A minha gravidez foi de vómito, a da minha cunhada foi tranquila até aos 5 meses. A minha teria que passar por uma amniocentese, a da Analu não... Mas a verdade é que no meio de tanta agonia, de tanto vómito, a partir da ecografia morfológica tudo foi mais tranquilo para o meu lado e começou a ser menos para o da minha cunhada que acabou, também, por ter de fazer uma amniocentese sem estar à espera. Como eu já a tinha feito meses antes,  tranquilizei-a, assim como ela me tranquilizou quando a minha sobrinha nasceu forte  e saudável. E lá dei à luz o meu rapaz um mês e meio a seguir. Depois, é que foram elas: dois tormentos nas nossas vidas. Ai que miúdos tão difíceis de lidar: chorões, só estavam bem ao colo, não dormiam... deram cabo de nós. Ainda há bocado lhe dizia isso e a Analu respondeu : "deixa lá, agora são ótimos miúdos".
Lembro-me que andávamos fartas de dar de mamar (desculpem-me todas as que acham que dar de mamar é lindo) e, ao quarto mês de cansaço, de olheiras, de várias experiências ficou decidido: tirávamos todas as semanas uma mamada. E, num mês, os miúdos passaram-se a agarrar aos biberons e libertámo-nos da mama  passando  o acto para quem se oferecesse.
O dormir e o chorar por tudo e por nada foi mais difícil de gerir: a minha sobrinha chorava até se calar mas ao meu filho eu pegava ao colo. E estou arrependida pois mais rapidamente a Luisinha parou o choro, do que ele.
Depois vieram as papas e as sopas: o meu sucesso era muito pouco. Os meus dotes culinários, que são zero, foram sentidos pelo meu filho que cuspia a sopa como a engolia. A minha sobrinha só não gostava de experimentar e negava tudo, só obrigada a comia.
Um verdadeiro romance este primeiro ano de vida, mas que nos apoiamos nas desventuras uma da outra. E foram crescendo, têm feitios diferentes mas acho que mostram grande personalidade... temos o enorme desejo que continuem a ser grandes amigos pela vida fora.
Adoro-vos !

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

FRASE DA SEMANA


(IN)FELICIDADE



Muitas vezes (quase sempre) queremos um mundo ideal... Devemos estar no planeta errado porque a verdade é que vivemos na dualidade:  dia e noite, quente e frio, doce e amargo, nascimento e morte. Ou seja: eu só sei o que é felicidade e bem-estar porque também sei o que não é.
Em trinta e tal crónicas esta é a segunda em que falo de felicidade. Com certeza é algo que me preocupa...
Procuramos incessantemente este estado, tal é a "ambição" de ser feliz. A receita é simples: basta casar, ter filhos, ter um bom emprego, ter uma boa figura e viajar (além de fazer esse registo nas redes sociais). Não há lugar, nem espaço à infelicidade. Sermos "obrigados" ao bem-estar deixa-nos culpados quando não nos corre tudo bem na vida...
Procuramos constantemente estados eufóricos: os bens materiais produzem uma felicidade momentânea, episódica e entramos num processo quase obsessivo de imaginar que o consumismo é que nos deixa feliz. E, como não consumismo tanto, caímos numa ansiedade constante.  Penso que esta "ordem" de tenho que viver melhor, acaba por negar sentimentos importantes como a "angústia" e a "tristeza". A verdade é que a nossa tristeza é pouco aceitável. É como sentirmo-nos tristes seja o mesmo que não sentirmos... e, mais uma vez, as redes sociais pioram isso. Lá, todos mostramos ao mundo que estamos bem, que somos felizes e que nada nos afeta.
Parece que felicidade é uma imposição social. Assim, as pessoas sentem uma culpa por não estarem completamente felizes  e geram outra culpa quando não alcançam tal padrão, ficando doentes e ansiosas. 
Tipificando: "eu achava que era feliz até ver o instagram da Teresa"...
E assim vivemos infelizes na felicidade.





 

 
 
 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

NÉSCIO

 
 
 
Rodeamo-nos de pessoas que queremos e também de pessoas que não queremos. Acreditem que, depois dos 50, já é mais fácil tornarmo-nos "Darwinistas" e aplicarmos a seleção natural: só nos rodeamos de quem queremos. Mesmo assim, às vezes, entra no círculo o indesejado e temos que o aturar. Ultimamente o meu cerco tem estado mais permissivo e os indesejados têm entrado.  Paciência: até me rio com eles (não deles) pois, como o meu pai dizia, o maior horror da humanidade é a estupidez humana. Ser estúpido é ser pequenino, é não abrir horizontes, é não ser humilde, é procurar chamar a atenção, é não ter brilho próprio, é ser inoportuno.
Apreciem lá os sinónimos de estúpido que encontrei: aborrecido, chato, enfadonho, descomedido, exagerado, excessivo, absurdo, disparatado, alarve, imbecil, néscio, parvo... a estupidez humana é enorme.
Foge do estúpido! Não é um ato cobarde mas um ato de salvação. O estúpido mói-te a vida, transtorna-te, ocupa-te, deprime-te.
 
Só para aliviar a estupidez deixo-vos aqui uma anedota:
 
Um imigrante polaco foi fazer testes ao oftalmologista. O médico mostrou-lhe um cartaz com as seguintes letras: “C Z W I X N O S T A C Z”.
- Consegue ler estas letras ?-  pergunta o médico.
- Ler? Eu conheço o homem!!!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

ESCOLA



A Paula ligou-me há bocado, desfeita, porque acha que o filho vai chumbar outra vez. E não é só por chumbar é pela idade que tem e pela dinâmica que implementaram a um miúdo com necessidades educativas especiais. Sou professora de educação especial e sei que os pais com crianças e jovens com problemáticas várias sentem-se (na maioria) desacompanhados, sozinhos, sem saber, muitas vezes como lidar com os filhos. No caso da Paula, tem realmente sido a falta de envolvimento da escola e muitas vezes as incompatibilidades de carater, de atitude que causam entraves e que se refletem neste jovem.  Os pais não têm de saber tudo de educação especial mas têm que ser elucidados até desaparecerem eventuais dúvidas (no caso de terem um filho com essas necessidades) . Contava-me a Paula: " e a seguir? o que é que ele vai ser? bombeiro? ..." Uma pena a escola não estar a conseguir dar respostas. Também sei que muitas vezes as respostas que nós damos não é a que os pais querem ouvir apesar de haver limites.
Saindo da educação especial e falando do ensino regular, a Sofia deu-me o seu testemunho como mãe : " A experiência que tenho é que a Escola não perde uma oportunidade de “sacudir a água do capote”. O aluno porta-se mal na sala de aula? Chama-se o encarregado de educação para que falem com o educando e resolvam; O aluno tem um conflito com um colega? Chama-se o encarregado de Educação e juntamente com o aluno incentiva-se à participação do sucedido por escrito; O aluno baixa o rendimento escolar? Chama-se encarregado de Educação, pergunta-se se há alguma alteração em caso que justifique o acontecimento....mudança de casa? falecimento de avós? nascimento de irmãos?…
Não quero excluir os pais do processo educativo mas acho um abuso de princípios. As crianças e jovens passam muito tempo na Escola, é lá que é suposto serem resolvidos as questões. Ora vejamos: como pode um pai gerir questões às quais não tem acesso ou influência? Como pode um Encarregado de Educação gerir conflitos se não está presente? Gerir "o" baixar de notas se não está na sala de aula e  o mesmo se aplica ao comportamento? Cada vez menos se ouvem  os alunos: o que diz o professor é lei e os pais servem somente para o que à escola dá jeito".
 
Vamos lá escrever o que vos vai na alma.
No FIFTYLÓ podem comentar, assim como na página do facebook. Há crónicas que puxam mais para a opinião, como esta. É realmente esse o grande objetivo: opinar/comentar quer concordemos, quer não.
OBRIGADA!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

RECOMEÇOS





No meu mundo, nas pessoas que me rodeiam, nos meus amigos e conhecidos há muita gente a recomeçar. Pessoas entre os 45 e os 55 recomeçam relações com muita facilidade. "Recomeço" e "recomeçar" têm sido as palavras de ordem.
Os casamentos acabam e as pessoas recomeçam uma nova vida com outras, sempre com a justificação que já não têm tempo a perder, ou recomeçam simplesmente a aprender a viver sozinhas. Nada contra, só o facto de se recomeçar TANTO. Por exemplo, o Manuel em 2 anos já recomeçou 4 vezes!! Repito que não tenho nada contra mas, penso eu (nem sei se devo pensar), que é um exagero recomeçar tanta vez:: mudar de casa, mudar de hábitos, mudar de amigos, mudar de cheiros...
Estou a ser, com certeza, quadrada demais apesar de não me achar bota de elástico...Agora as relações são sempre de mala de viagem na mão. Estamos muito americanizados :)
A semana passada fui ao aniversário da filha de uns amigos e falavamos da Isabel. "Onde anda?", `"há tanto tempo que não a vemos?", até que alguém disse que a Isabel agora vivia com o Pedro. "O Pedro? Quem é esse?  Mas no verão ela não estava a viver com o João? "... É que agora "viver com" é tao natural como "namorar com". Conhecem-se e vão logo viver juntos porque "já não são nenhuns miúdos".. Não são mesmo, mas a verdade é que se comportam como miúdos e rodam de casa em casa como quem muda de camisa...
Realmente o que é que eu tenho a ver com isso quando o que interessa é a felicidade do momento? Não é lugar comum ( agora) dizer "um dia de cada vez intensamente"?
Mas e os filhos ? Que modelo tão moderno estamos a transmitir aos nossos filhos? Quem anda nestes recomeços tem filhos. Os filhos mudam de casa, de "tio" e de "tia" com muita leviandade. Com este modelo, que adultos virão a ser ? Se calhar é melhor acabar aqui pois já me apedrejaram mil vezes.
Não sou Santa. Já recomecei há uns anos e pensei sempre na minha filha. Sou  fã do "NAMORAR". Só me mudei depois de estar "farta" de namorar com o meu segundo marido. Conheci-o mas não fui viver com ele. Eu nem queria. Se tinha saído de uma relação só precisava de namorar, não de viver com...Adorava ter saudades dele, adorava quando me telefonava ao fim do dia, adorava quando conseguíamos ao fim de semana dormir juntos, adorava não ter obrigações com ele, adorava quando fazíamos projetos, adorava a complicação de umas férias a dois ( pois nem sempre era possível) por haver filhos.
E fico-me por aqui.
Bons recomeços.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

ÓSCARES




O meu pai fazia cinema amador. Toda a vida convivi com máquinas de filmar e com a paixão de termos a nossa vida em filmes. Lembro-me tão bem de ele  ter feito um filme comigo, tinha eu 2 anos, que se chama "Nini e a Primavera". O meu pai  orgulhava-se  e mostrava aos amigos o prémio que aquela curtíssima metragem tinha arrecadado. E eu lá estou, como protagonista do filme do prémio. Que saudades de tudo isso!
Quando começam as nomeações para os Óscares ando numa correria  a tentar ver todos os filmes nomeados. É que no dia da cerimónia anseio por dar a minha opinião e dizer "era este que escolhia" ou "nem acredito!" e ficar muito desiludida.
É claro que a minha opinião vale o que vale mas, este ano, se fosse membro da academia teria mesmo muita dificuldade em escolher.
La la Land: estava à espera de ver um Mama mia. Nem de perto nem de longe. Lá vale a música, o guarda roupa e...mais nada.
O silêncio, infelizmente nem está nomeado para melhor filme mas sim para melhor fotografia. Martin Scorsese no seu melhor, com um filme intenso e emocionalmente cativante. Factos históricos verdadeiros? Pois, há dúvidas mas vale a pena ver.
Foi com entusiasmo que fui ver Jackie. Apesar de achar que o assassinato do Kennedy já é um assunto esgotado, encontramos no filme uma Jackie insegura, desfeita de dor e que se confronta com o ser e não ser: hoje é a primeira dama com todo o conforto que isso acarreta para no dia seguinte  não ser nada, perdendo estatuto e mordomias. Uma Natalie Portman com uma atitude um pouco exagerada, vê-se que está a representar e a esforçar-se para ser parecida com a original  mas, é isso mesmo: vê-se. E numa boa atriz deve fluir.
A melhor atriz, quanto a mim, deverá ser Meryl Streep no Florence. Esta mulher continua a surpreender. O filme é bom e ela faz um papel fantástico: parabéns!
O Manchester by the sea foi uma surpresa... um filme monocórdico, com uma história banal e com um Casey Affleck brutal. O homem não deixa transparecer um único sentimento, uma única emoção: sempre a "mesma cara" perante mil adversidades. Parabéns!
O filme Lion, baseado numa história verdadeira é daqueles que nos faz chorar. A primeira parte toda passada numa Índia paupérrima, carregada de miséria.  A emoção de uma criança perdida e depois os traumas recalcados num jovem de 25 anos consequência de uma  infância terrível estão bem retratados. É um filme de "domingo à tarde" em que curiosamente a Nicole Kidman está nomeada para melhor atriz secundária,   aparecendo ao todo 15 minutos no écran ( um exagero esta nomeação, penso).
Moonlight um filme que me custou a gostar mas é intenso, diferente, faz-nos pensar no underground americano.
Dava o Óscar de melhor filme (apesar da dificuldade) a Hidden Figures (Elementos Secretos). Passa-se nos anos 60 onde ainda a descriminação sexual e racial estava muito presente e narra como três mulheres, cognitivamente brilhantes (mas negras), se impõem na NASA. Há uma frase que retive:      " Nunca aqui  houve gente de cor, não me envergonhem"... vale a pena.
Destaco Passageiros, um filme que gostei muito: fui ao engano, achei que era ficção científica, mas só o é por ser passado numa nave. É sobre solidão, e a  verdade é que o homem é um ser social que dificilmente é feliz só. Também o filme Aliados mereceu a minha atenção pelo desempenho de Marion Cotillard (contracena com Brad Pitt) e a quem "tiro o chapéu" pela intensidade de sentimentos e emoções que nos transmite.
Ainda me falta  ver mais filmes...
Ansiando a noite dos Óscares.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

SANDRA





Há amizades que duram vidas. Conheço esta miúda desde os 12 anos. É tão importante na minha vida que "a coloquei" no meu livro, sem filtros.
 
" (...) Telefonei à Sandra: precisava falar sobre esta psicóloga. Fomos ao Colombo ao fim da tarde. Em cada loja que entrava comprava qualquer coisa: que paciência!! Mas ia-me ouvindo entre “o que achas deste conjunto para as botas castanhas?” e “esta mala é uma tara, apesar de cara. Tenho que pedir um aumento à Raquel”.
– Mas se fores à psicóloga ela cura-te essa angústia matinal? – perguntou enquanto colocava centenas de pulseiras nos pulsos.
– Não é só angústia matinal – estive quase a confessar- me, – é tudo. É a Luz, a Raquel, o desassossego em mim.
– Falta de sexo. Há quanto tempo não tens namorado? – perguntou enquanto enfiava um vestido todo florido.
 – Não quero namorados. Onde os encaixava no meu dia? – Desculpei-me atabalhoadamente. – Oh Alice, namorar pode ser bom. Podes encontrar o “tal” e descontrair. Tu andas tensa. Vamos sair hoje? Não há nada que um vodka não cure – e puxou-me para entrar na vigésima sétima loja – já compraste alguma coisa? – perguntou enquanto mexia nas sandálias perto do manequim.
– Não me estás a levar a sério. Vamos beber um café. Estou farta de tanta roupa – desabafei.
 – Farta de roupa? Pois, tens mesmo de ir à psicóloga – gozou.
 – A sério. A quem contarei estas coisas? As minhas angústias, os meus medos, as minhas inseguranças? – quase gritei. A Sandra agarrou-me no pulso, tropeçou nos dez sacos que levava, sabe Deus como, e arrastou-me até uma esplanada.
– Oh mulher, mas o que é que se passa? – interrogou com aqueles olhos azuis muito abertos
 – Acordaste? – perguntei. – Não é isso. Não estava a entender que era “grave” – choramingou.
 – Também não precisas chorar – conclui chamando o empregado.
 – Mas que merda de angústia é essa? Andas a tomar alguma substancia ilícita? Olha que quem se mete nessas coisas, não sai de lá mais. A amiga do Frederico, sabes? Aquela muito gira que usa sempre calças justas… Abanei a cabeça. Sabia que estava no bom caminho. Finalmente a Sandra estava a ouvir-me mas primeiro precisava de se ouvir a ela.
– Okay! Deves mesmo tratar-te. Como se chama a psicóloga? Não, não a conheço…mas parece que a Bela, aquela minha amiga de Carcavelos, sabes? A que andou com o tio do Carlos? Sabes sim… ela até é um bocado foleira…
 – Stop!!!! – gritei.
 – Ai!!! Então? – perguntou enquanto dava uma dentada numa bola de berlim – eu não devia comer isto. – Eu não estou bem – confessei. – Mas fizeste exames, análises? Desculpa lá amiga mas não contes comigo para te acompanhar. Sabes o pânico que tenho de agulhas. A Dora andava mal e era cancro – agarrou-me na mão. – Mas tu não tens nada. Amiga, conta- -me tudo – e terminou a bola de berlim. – Tu cansas-me. Para. Só preciso do teu apoio. Vou marcar uma consulta e depois tenho-te a ti para o “desabafo”. Para me dares também a tua opinião. Para trilhares caminhos comigo. – Amiga, já os trilho há muito tempo. Também tenho essas angústias, essas inseguranças mas vingo-me nisto. Adoro roupa, adoro andar na moda, adoro bolas de berlim e Cérelac – sorriu. – Vamos para tua casa e no caminho. (...)" in "A ALICE MORA AQUI